quarta-feira, 5 de agosto de 2015

mitos e realidades paralelas

você vem cheia de mitos 
atirando roupas, cabelos, perfumes 
gargalhando ironicamente 
perdidamente 
me deixando sem saída 
nessa rua escura 
um gole de cerveja 
outro de olhares maliciosos 
todos em você 
no seu jeito imprevisível 
e 
de certa forma 
gritante 
como a chuva 
que vai cair 
em alguns momentos 
em ti

Ricardo Lubisco

terça-feira, 31 de julho de 2012


O curso do nada

      Vazio. Estou a um passo de um novo e obscuro vazio. Não vejo outra alternativa. Não vislumbro outra chance de mudar aquilo que se encontra no mais rudimentar pensamento. Caminho em direção ao nada, rumo à dobra do vento, onde o sentido da vida fenece diante do mais inebriante vazio. Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte disso, tenho em mim todos os conflitos do mundo. Mas quais são eles? Se eu ainda soubesse. Se soubesse onde fica minha casa, onde fica a morada da minha alma escusa, onde encontro o pouso da minha consciência vã. Não, não sei, não encontro. Carrego a minha pedra até cume da montanha, mas ela corre de volta até o pé. Pé da esperança, cume da ilusão. Um mundo desconhecido se apresenta vagarosamente. Continuo à espera de alguém que me diga o que fazer; que aponte a direção que devo tomar. 
        O trânsito fomenta a tensão dos meus nervos. Todas as vias estão lotadas de almas decididas a seguir o mesmo caminho. É noite, e as ruas ainda estão cheias. Vermelho. O menino faz malabarismos e pede uns trocados. Dou-lhe as últimas moedas do bolso. Verde. Piso forte, sem firmeza. O mundo parece se rasgar diante de mim. A vida parece se rasgar; em fragmentos. Um carro me ultrapassa. Depois, outro. Aumento a velocidade, não gosto de ser passado para trás. Reduzo, deixo eles irem. Preciso de calma. A loja deve estar cheia e eu precisarei de paciência para garantir o êxito. Na verdade, estou nervoso. Vermelho. Paro no cruzamento. Penso forte em pegar o caminho de volta à minha casa. Os desejos se bifurcam. Mas não há desejo algum. São dúvidas em potencial que se cruzam. Verde. Sigo o meu vago propósito. Abro o porta-luvas e aliso o curto cano prateado. Amarelo. Diminuo a velocidade, hesito. Uma vertigem perpassa minha visão. Aumento a velocidade, piso firme; resoluto. Transponho o último sinal. As mãos suam minha infante obstinação. O riso se desprende da rigidez dos dentes. Preciso de um cigarro.
        Estaciono e desligo o carro. Ainda é muito cedo, necessito aguardar. Observo friamente o movimento. Abro o vidro e acendo um cigarro. A fumaça caminha densa sob o teto do carro e foge ligeira pela janela. Espero. Quase relaxo.
       Miro o sujeito que sai da loja de conveniência. Detenho meus passos ao sair do carro. O sujeito me vê. Ele está visivelmente atormentado. Percebo a confusão nos seus olhos. Olham para o nada. Estão vazios. Observo a criatura vacilante que parece ter encontrado a direção a ser tomada. Vem na minha direção. O homem franzino cambaleia desesperado na minha direção. Tem agora olhos de tubarão. Não me movo, continuo a fitá-lo imóvel, pálido. O garoto transpira seu desespero juvenil; eu, a minha injustificada inocência. Ele me mira com a mão direita. Descontroladamente o suor escorre. O meu e o dele. No vácuo instante, ouço o estouro e vejo a luz fugaz; queima na minha carne. Caio como uma fruta madura. O garoto chegou antes. Ele vai em direção ao carro. O ronco do motor roça brutalmente os meus sentidos até transformar-se num horizonte inaudível.  Esboço um suspiro de contentamento enquanto a dor dilacera as incertezas. Isso é tudo, descubro: nada.
   
C.P.
Alguns Hai Kai's

Dois olhos brilhantes
miram-me intermitentes
Tô na contramão

À sombra dos cabelos
pensamento outonal
Colho as ideias que caem

Que coisa mais enjoada
essa de procurar rima
pra tudo na vida


quinta-feira, 28 de abril de 2011

Salmo


O certo é que prezamos a destruição.
Qualquer coisa chegando ao fim, eis o que nos interessa.
Fotografamos ruínas e colecionamos imagens de casas enfermas, desenganadas pelo tempo,
e apreciamos o turismo por vilarejos decadentes,
prestes a sumir do mapa.
A imagem do velho edifício implodido nos mantêm cativos
diante da tv.
O que move a ferrugem não é mistério para nós:
conhecemos essa fome - e a respeitamos.
A árvore doente do passeio público nos interessa
mais do que as crianças desaparecidas.
Comovidos, chegamos a abraçar a velha figueira ameaçada,
pretextando solidariedade.
Mas não somos solidários, não se engane.
Apenas queremos estar por perto na hora final.
O certo é que apreciamos a destruição.
Casais nos falam de crises, da reta final, da beira do precipício.
Ouvimos interessados os pormenores da autópsia conjugal,
queremos saber em que momento,
as vísceras do encanto deixaram de cumprir seu papel,
queremos conhecer tudo que fez do desejo
azinhavre, mancha agônica, bolor.
Existe desamparo maior do que
num velho carro entregue ao pó junto ao meio-fio?
O disco riscado e o livro que perdeu folhas e palavras
são nossos entes queridos.
O amigo que faz aniversário recebe nossos cumprimentos,
pois deu um passo à frente, rumo ao fim.
Vamos a velórios de parentes e conhecidos
com um olho vermelho de consolo, o outro verde de curiosidade:
quem visitaremos inerte da próxima vez?
Amamos o corroído (pontes, trens, viadutos),
o que está prestes a se perder.
Respeitamos os desgastado, o roto,
o que se esfarelou, majestoso.
E esperamos.
Porque algo foi posto em marcha,
está a caminho.

Marçal Aquino

sábado, 22 de janeiro de 2011

2011


Já faz um bom tempo que não escrevemos mais nada aqui. O último post foi no ano passado, em outubro. Muitas coisas aconteceram, principalmente coisas ruins. Mas é claro que não restrinjo somente a coisas que aconteceram comigo. Houve trocas de governos. Aumento de 70% para deputados (federais e estaduais), senadores e vereadores, votado por eles mesmos; houve ex-governadores reclamando suas pensões vitalícias, pois haviam ficado a frente de seus respectivos estados durante 8 dias; até um senador gaúcho, que em anos anteriores fora governador do estado, pediu sua pensãozinha retroativa, e justificou alegando não estar conseguindo manter sua residência e sua família com seu salário atual.
Acho que 70% foi pouco.
Ainda nesse meio tempo, houve cheias e secas, e muitas mortes por conta delas.

Mas nem todas as notícias são ruins. O Big Brother voltou, e voltou de cara nova. Agora é possível sair no soco sem ter como prejuízo a saída imediata da casa. Maravilha! Iniciativa de fomentar o "barraco" na tv. Mas não vou me ater a detalhes, afinal, muitos desses acontecimentos não têm tanta importância assim. São coisas que irão se diluir entre as formosas curvas de mulatas e melodiosos sambas-enredo neste próximo carnaval.


Audiência

Sob histórica enxurrada de informações

Vemos a morte desmoronar

sobre os telhados da razão

Inundar as arestas dos corações espalhados

sobre um corpo instável e esfarelento


Tudo esfarela-se umidamente


Discutem sobre imprudência e fatalidade


Alguns celebram a vida face à morte

furtam pequenos “futuros da nação”

desse violento Rio de sangue recém formado

Que desce

e desce

Onde cardumes de pessoas bóiam e afundam

num [Rio de sangue em

Janeiro]


(...)


Outros boiam e afundam

em telefonemas e torpedos

Em frente à televisão

Nosso Grande Irmão está de aniversário

Décimo primeiro aniversário


Um carismático intelectualóide com seu filtro solar

dispara frases “rarefeitas”

Que tocam os corações dos irmãozinhos

Confinados sob um olhar “Orwelliano”


Discutem sobre líder e eliminação

à luz da afinidade


Sob histórica enxurrada de informações

A audiência se divide

[Comovida]

Entre irmãozinhos confinados

E corpos úmidos desabrigados


Christian Pizzolatto








terça-feira, 19 de outubro de 2010

Batom vermelho

Na xícara de café suja
A marca do amor comprado
nas seções de jornais

O batom vermelho tinge
o ímpeto animal,
sacia
Tece as horas
Nos corpos dominicais


Christian Pizzolatto

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

CROAC

No meu sonho estranho, eu me sinto bem. Não há mais vergonha, eu não sou mais tímido. Consigo pronunciar o que penso facilmente. Eu ando com uma postura digna. Sem medos. Sem receios. É noite. O clima é agradável. Eu estou de bom humor. As pessoas ao meu redor aparentam aproveitar a noite, assim como eu. As calçadas são largas, assim como o asfalto e as lojas. Anda-se pela rua com tranqüilidade. Não há pressa. Encosto em um muro, algumas pessoas andam de skate. A luz amarela-alaranjada é acesa, pois começa a escurecer. Garotas passam por mim. Não olham. Seguem para aonde for, menos aqui. Um cheiro agradável viaja pelo ar, até se fazer notar pelo meu nariz. Resolvo caminhar mais um pouco. Acabo entrando em um parque. As luzes lentamente vão ficando para trás, enquanto meus passos fazem cada vez mais barulho. Sinto a umidade da grama em meus pés. Começa a ventar forte. Seres passam ligeiramente dentre as árvores. O escuro é total. Eu avisto um rio. Toco-o com minhas mãos. A civilização parece não mais existir. O céu é muito azul. Avisto luzes coloridas piscando em algum ponto distante dali. Piso em madeira envelhecida. Ela quebra e faz barulho. Eu me sinto só. Parece que sou observado. Encontro uma barraca abandonada, com luzinhas penduradas em um fio. Dentro da barraca há um cobertor e uma lanterna junto de um livro antigo. Eu me deito e adormeço.

Acordo com as roupas bagunçadas. Sinto um perfume conhecido. Inalo o máximo que consigo. Ela esteve aqui. Passou a noite comigo. Eu sei. Tento abrir o zíper da barraca. Não consigo. O perfume me enlouquece. Eu continuo tentando inalar o máximo que posso. Sinto o espaço na barraca diminuir. Ouço vozes do lado de fora. O perfume ri de mim. Eu já não tenho mais espaço. A lona da barraca me espreme. Mal consigo respirar. A risada fica mais forte. Ensurdecedora. E continua a gargalhar enquanto a barraca me engole. Eu mergulho profundamente nas minhas lembranças e não encontro ninguém. Não acordo mais do meu sonho.


O silêncio impera no ambiente, a não ser pelo barulho de um sapo e da barraca fazendo a digestão.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Os Melhores Filmes da Década de 2000


Já está lá no site Cine Revista, a minha lista dos melhores filmes da década. Foi com muito prazer que aceitei o convite do meu amigo, Adriano de Oliveira. Crítico de cinema e criador do site, Adriano vêm mantendo o site há 6 anos com críticas construtivas e opiniões bem elaboradas. Uma grande dica pra quem gosta de cinema.

A elaboração da lista foi complicada. Porque sempre algum filme bom vai ficar de fora. Mas a fiz com o pensamento de que esses sejam talvez os essenciais.

Link para a lista: http://www.cinerevista.com.br/artigos/ListaDecada00RLubisco.htm

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

A Criatura perdida pelos cantos vive

Folha de alumínio molhada. Ele a vê sob a superfície da pia, e não dá a mínima bola. São 05h53min da manhã, o dia está nascendo, o sol está nascendo, e ele está morrendo. O macaco perdido em sua jaula, na transição de madrugada para dia. Tudo que pertencia a ele acabava ficando para trás, e só retornava quando tudo escurecia. Sua mente voltava a funcionar como o motor de uma máquina que tem hora pra começar a trabalhar. E era assim com ele. Perdido no imenso vazio de seu apartamento, na madrugada de Porto Alegre. Mas poderia ser em qualquer lugar. Imagino que até mesmo se ele estivesse em uma missão espacial, dentro de um foguete em direção a lua, seria a mesma coisa. Ele olharia para os buracos negros por toda a extensão de um céu preto. Infinito e póstumo. Não estaria mais isolado do que neste mundo habitado por milhões de pessoas que nascem todos os anos, e crescem todos os anos, e se tornam animais que ele sempre acaba conhecendo. Até porque as pessoas realmente interessantes não existem à sua volta. Parece até algum tipo de maldição. Seria algo que ele fez em alguma vida passada, nos primórdios do universo? Por que essa ligação com o Universo, em geral?!


Não, não adianta. Ele não sabe! Ele sente, mas não sabe. Sente seu corpo flutuar por corredores negros recheados de estrelas brilhantes iluminando o caminho infinito. O próprio macaco no espaço; viajando por entre várias formas de vida e sons. Principalmente sons, que ele não reconhece, mas que sempre acabam lembrando-o de alguma música que ele escutou enquanto ficava trancado no seu apartamento na Rua Teodoro Piñero. Viveu tantos anos lá. Lembra de viver sentado em cima das caixas de cerveja que tomava toda noite pra agüentar a sua vida tão sem graça. E ele por uma crise psicológica interna, saía pouquíssimo de casa. Muito pouco mesmo. Então o lixo acabava ficando dentro da casa dele mesmo. Mais propriamente na sala, onde ele ficava a maior parte do tempo. Colchão, sofá, computador, TV, vídeo-game, livros, cd’s, dvd’s. Ele trabalhou durante muito tempo. Mas cansou de manter contato com outros humanos, então juntou dinheiro para poder ficar hibernando em casa durante alguns meses.


Esses poucos meses acabaram durando dois anos e meio.



Uma bela madrugada, fria e seca, mudou completamente a vida dele. Porque no meio de toda aquela sujeira, ele encontrou um guarda-chuva. Logo ele, que nunca gostou de usar guarda-chuva. Fazia tanto tempo que ele não via um guarda-chuva, que ficou tateando o negócio preto até perder a curiosidade. Quando isso aconteceu, ele o abriu, ali, no meio da sala mesmo! Uma madrugada fria e seca, que ventava muito. E quando ele nem prestava atenção ao vento do lado de fora da sua janela, sentiu uma sucção vindo de cima. Notou que logo em cima dele não havia mais telhas, muito menos forro. Um enorme buraco mostrava a ele a lua, as estrelas, e aquele céu azul escuro negro, de uma boa madrugada de inverno no Rio Grande do Sul. Sem mais nem menos, começou a subir. Subiu, subiu, subiu e foi indo. Fazia tanto tempo que ele não saía pra dar uma volta, que resolveu acender um cigarro pra aproveitar o passeio. Quando estava chegando perto de uma nuvem, cruzou com um macaco que usava um chapéu, daqueles de festinhas de aniversário infantis. O macaco flutuava em uma calota de carro, e ia em direção oposta à que ele estava indo. Ele até levantou brevemente a mão para cumprimentar o macaco, mas não obteve qualquer reação.


Imaginou que o macaco estava feliz. Assim como ele estava.

E foi por aí, subindo, subindo, subindo.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Inter - Bi Campeão da Libertadores da América


Sou colorado desde que eu me lembro de começar a assistir futebol. Não sei ao certo quantos anos eu tinha, mas é por volta dos meus 6 ou 7 anos de idade. Nunca fui aquele torcedor de freqüentar o Beira-Rio todo domingo, porque a minha mãe apesar de ser colorada, nunca foi muito de ligar para futebol, porque meu pai faleceu quando eu ainda era muito pequeno, sendo que eu nem sei ao certo se ele era colorado ou gremista, e a minha irmã mais velha era gremista. E é por essas e outras coisas, que eu não sei ao certo dizer por que sou colorado. Só sei que desde a primeira vez que vi aquela camisa vermelha, com o S, o C, e o I se entrelaçando e formando o símbolo do Inter, eu vibrava. Sempre gostei da cor vermelha na camiseta, tinha prazer de ficar em casa assistindo os Gauchões, dizer que era colorado, e dormir de noite imaginando que um dia eu ainda jogaria naquele time. Nessa época da minha vida, com 9 anos de idade, o Inter não ganhava nada. Eu nunca tinha visto o time levantar uma taça. Em 1992, quando o Inter ganhou a Copa do Brasil, eu tinha apenas 5 anos, e não me lembro de absolutamente nada. Não tinha explicação eu torcer pelo Inter, porque ninguém nunca me encorajou a isso, nem me levou ao estádio para eu ver um jogo, não era o time que ganhava os campeonatos, nada. E ainda assim, eu me tornei colorado por natureza. Por grandeza.


Com 10 anos de idade, fui morar em São Paulo. E foi justo nesse ano, em 1997, que eu vi pela primeira vez o Inter levantar uma taça. O Gauchão de 1997. 1x0 em cima do Grêmio, gol do Fabiano se não me engano. Um golaço. Eu lembro de estar vendo de pé o jogo, e quando saiu o gol, eu alucinado dei um berro e um tapa na cara da minha irmã. Foi automático. Foi ridículo eu fazer isso, claro. Mas não foi por mal, foi por emoção. Eu não acreditava no que via. Meu time ia ser campeão Gaúcho e isso era a melhor coisa do mundo pra mim naquela época. Eu completei a minha coleção de mini-craques da Coca, em virtude da Copa de 1998, e ficava brincando com eles no chão com uma mini-bola, e fazia tabela de campeonato gaúcho, campeonato brasileiro, copa do Brasil. O Inter sempre era o campeão de todos eles de forma invicta, não preciso nem falar.

Em 1999, o Inter fez aquele jogo histórico com o Palmeiras no Beira-Rio. Uma vitória nos livrava do rebaixamento para a Segunda Divisão do Brasileiro. E não era uma partida a toa para o Palmeiras, que lutava pela classificação a próxima fase. Esse jogo eu vi trancado no quarto, sozinho, ajoelhado do lado da cama. E quando o Dunga fez aquele gol, eu não cansava de chorar e sorrir, tudo ao mesmo tempo, querendo que o jogo terminasse o mais rápido possível. E lá estava meu Inter, me orgulhando por não ter caído para a Segunda Divisão.

E morar em São Paulo e torcer para o Inter não era fácil. Na escola eu ouvia todo o tipo de zoação. Que o time de Porto Alegre era o Grêmio, que o Inter nunca tinha ganhado nada, que os títulos importantes eu nem era nascido para ver, que o Clemer no gol era um frangueiro, que eu tinha que torcer pra times de verdade que nem Corinthians, Palmeiras, São Paulo. E eu defendia o meu Inter, como podia. Porque esse meu sentimento pelo Inter, sempre foi algo inexplicável. Pra mim era como se fosse um irmão. Era o meu amigo. Era quem mais me deixava feliz e por quem eu mais me preocupava. Time de futebol não nos dá o sustento nem nada, mas o que sentimos por ele não poderia jamais ser comprado. Vêm do fundo do coração e quando ele ganha choramos de alegria, comemoramos. Quando perde, lamentamos e a vida fica um pouco mais nublada.

Resumindo: crescer e torcer pelo Inter, nos anos 90, foi uma prova de carinho pelo clube. Foi uma amostra involuntária de confiança na camisa vermelha histórica, de um passado de tantas glórias, que eu sequer tinha visto, mas sabia de cor. Era ter orgulho de poder ver, mesmo que fosse pela TV, o Beira-Rio, cheio de colorados apoiando, torcendo, e comemorando. Eu prestava atenção em cada faixa estendida no Estádio, e em como éramos todos apaixonados por este time.


Eu me lembro de ter um Cd com algumas músicas do Inter. E eu ficava cantarolando elas sozinho, antes dos jogos, sozinho no quarto. Era praticamente um ritual. Lembro de uma que era mais ou menos assim:

“Eu te amo, Internacional


Encanta o mar vermelho colorado


Joga bonito, dá show de bola


Mostra tua garra, ninguém segura, teu futebol


Sou Camisa 12


Vou jogar com você


Cantando, chorando com muita emoção


Que nasce do meu coração


Te amo, Te amo, Internacional


Te amo, Te amo, Internacional”

E assim os anos foram passando, em 2005 o Inter foi roubado no Campeonato Brasileiro e acabou ficando com o Vice-Campeonato. No começo de 2006, eu voltei a morar em Porto Alegre. O Inter ia disputar a Libertadores, coisa que eu nunca tinha visto. E não sei por quê, e eu acho que todo colorado deve ter sentido a mesma coisa, mas a sensação que eu tinha era que de alguma forma as coisas dariam certo. Mesmo antes de começar a Libertadores. Era a LIBERTADORES. Campeonato que eu sempre vi os times dos meus amigos disputarem, mas nunca o meu.

E como todos sabem, nós fomos campeões. E parecia inacreditável. Meu Inter. O Hino do meu time tocando sem parar, com o símbolo na tela, e os dizeres: INTER, CAMPEÃO DA COPA LIBERTADORES 2006. Claro que com muitas emoções nesse meio tempo, foi difícil, suado, do jeito que tinha que ser. Foi emocionante. Um título merecido e grande. Como nós.

No fim do ano, conquistamos o Mundial. Quando NINGUÉM além de nós acreditava. Ganhamos do todo poderoso Barcelona, do gremista Ronaldinho Gaúcho. Um gol do Gabiru e a expressão incrédula do Ronaldinho. Eu vi esse jogo em casa, e quando saiu o Gol, saí batendo na porta do apartamento e gritando, pulando, gritando mais um pouco na janela. Saí pra comemorar com milhares de colorados que foram as ruas e festejavam uma vida inteira de amor por um clube. Uma história de glórias em seu passado, e que agora eram revividas de forma muito maior.

Sempre revejo os jogos da Libertadores e do Mundial no Youtube, e sempre me arrepio e encho o meu peito cada vez mais de orgulho. As narrações dos gols, as comemorações, as entrevistas, as matérias, tudo. Tudo mesmo. Tudo relacionado as nossas conquistas e batalhas.
E nesta semana que passou, o Inter conquistou o Bi Campeonato da Libertadores. Coisa que eu achei que não veria de novo tão cedo. E ainda podemos conquistar o Bi Campeonato Mundial.

O que eu tenho a dizer de tudo isso?

Inter,
obrigado por ser um clube tão grande. Obrigado por tantas alegrias, e até mesmo pelas eventuais tristezas e decepções. Crescemos com elas e nos tornamos o maior time de futebol do mundo. Porque nós fomos Campeões Mundiais. Fizemos o mundo ver um time do Sul do Brasil. Pintamos a Terra de Vermelho. O que eu sinto por ti, é indescritível, porque toma conta de mim. Eu me arrepio quando escuto o Hino, quando vejo os filmes, os documentários, quando leio a história do clube, da determinação de um povo em fazer o seu time ser grande, quando ouço a história dos torcedores levarem tijolos para ajudar na construção do Gigante. Do Inter ser o Clube do Povo, sem preconceitos. Quando vejo o manto vermelho.

Enfim, esse sentimento não tem fim. Jamais.
Sou colorado, e com muito orgulho. Por ter passado por momentos difíceis, e nunca ter deixado de torcer ou defender o Inter. Somos um clube grande. Somos campeões de TUDO. E queremos sempre mais. Parte de mim é muito feliz por poder ter presenciado estas grandes conquistas do clube, por ter torcido até a voz se esgotar e eu passar a semana rouco. Por todos os amigos colorados que fiz ao longo dos anos.


...não importa o que digam, sempre levarei comigo, minha camisa vermelha...




quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Crise

Um papel. Canetas que não escrevem. Uma vida que não que sai de baixo das cobertas. O cheiro de mofo e a coloração escura das extremidades do quarto. Um abajur à meia luz. Amarelada. Roupas que pendem entre uma porta e outra do armário. Pensamentos que pendem; rolam em direção ao ralo escuro e úmido da inconsciência. Cigarro aceso entre os dedos amarelados. Reflexo da luz do abajur. Nenhuma tragada. Não há inspiração, só suspiro. Um copo marcado com lágrimas escurecidas; secas. Garrafa de vinho vazia. Duas garrafas. A boca e o nariz manchados. O cinzeiro povoado. Baganas e cinzas. Vento grave. O vidro gelado dança descompassado. A morte abafada de baixo das cobertas. Lápis sem ponta. Um papel manchado de sangue. Sangue sem vida.



Christian Pizzolatto

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Frágil

Você tem tanta vontade de chorar, tanta vontade de ir embora. Para que o protejam, para que sintam falta. Tanta vontade de viajar para bem longe, romper todos os laços, sem deixar endereço. Um dia mandará um cartão-postal de algum lugar improvável. Bali, Madagascar, Sumatra. Escreverá: penso em você. Deve ser bonito, mesmo melancólico, alguém que se foi pensar em você num lugar improvável como esse. Você se comove com o que não acontece, você sente frio e medo. Parado atrás da vidraça, olhando a chuva que, aos poucos começa a passar.

Caio Fernando Abreu

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Alparminium

Noite. Seus rastros estão no chão, por todo o caminho em que andou. O sangue marca com todo o seu vigor a calçada molhada e surrada da cidade. Noite. A vida está morta. Foguetes invadem o céu tão calmo. Eles estão chegando, ó céus. Sim, os demônios. Não vês o sangue? Alguém o observa escondido atrás de uma velha casa de madeira. O olfato pode ser uma sensação tão traiçoeira. A chuva parece querer voltar, mas é só o vento. Você está só, mas é observado. Um estrondo. Cavalos correndo por trás da cerca. A cidade ganha vida, mesmo morta. Metáforas, paródias, ilusões. Onde está você? Você está aí?

Quanto tempo levou para notar que existe um zíper no seu umbigo? Abra-o. Há uma mensagem. Cavalos correndo atrás da sua orelha. A calçada molhada. O mais puro rastro de sangue escorrendo dos seus cabelos. A faixa nunca mais será a mesma. Você achou.

O dia continua estranho, as vozes ocultas ainda habitam esses pensamentos confusos e incoerentes. Feche um pouco mais o casaco, assim quem sabe talvez não vejam. Quem sabe você consiga esconder de si mesmo, a argola cravada no seu estômago. Acho que a sua cabeça desgrudou por instantes do seu pescoço, e trouxe de volta a maturidade que precisavas. Lembrou daquela mentira?

Respire fundo, e vomite em todos.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Hoje é dia de...

Hoje é dia de dor

De gritar
e gemer e acordar e passear
Como um quadrúpede
Pelo quarto a fora

Hoje é dia de chuva

De sorver
Um pedaço de pão velho
Recheado com espessa camada
De saborosos antiflamatórios
E mastigar...mastigar...
mastigar como um pedaço de sonho
Um sonho barato

De sentir
Os pingos da chuva
Queimarem minhas articulações

De ver
A vida necrosada
Instalar-se na pele recém-nascida

De observar
A linfa nutrir
Minha paixão desesperada
De manter-me vivo



Christian Pizzolatto

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

O Cinema de Wes Anderson

Da metade dos anos 90 para cá surgiu um cineasta incrível, cheio de idéias, e com características marcantes ao longo de seus filmes. Ao lado de outros grandes cineastas lançados no mundo do cinema nesta mesma época, como Paul Thomas Anderson e Quentin Tarantino: Wes Anderson.

Ele pode ser citado ao lado de Tarantino e de Paul Thomas, pois são três cineastas que definitivamente fizeram o chamado “Cinema de Autor” na década de 90 e adiante. Para se chegar a esta conclusão, basta pensar que se um filme de qualquer um dos três estiver passando na TV, você rapidamente saberá de qual dos três é o filme. Claro, isso quem já conhece os filmes deles e é familiarizado com as suas características. E até me arrisco um pouco mais. Acho que são estes diretores, os mais significativos em termos de criatividade no cinema americano dos anos 90 pra cá. Quer ver?

Cães de Aluguel – 1992 – Tarantino

Pulp Fiction – 1994 – Tarantino

Jogada de Risco – 1996 – Paul Thomas

Pura Adrenalina – 1996 – Wes Anderson

Jackie Brown – 1997 – Tarantino

Boogie Nights – 1997 – Paul Thomas

Três é Demais – 1998 – Wes Anderson

Magnólia – 1999 – Paul Thomas

Os Excêntricos Tenenbaums – 2001 – Wes Anderson

Embriagado de Amor – 2002 – Paul Thomas

Kill Bill – Vol 1 – 2003 – Tarantino

Kill Bill – Vol 2 – 2004 – Tarantino

A Vida Marinha de Steve Zissou – 2004 – Wes Anderson

Sangue Negro – 2007 – Paul Thomas

A Prova de Morte – 2007 – Tarantino

Viagem a Darjeeling – 2007 – Wes Anderson

Bastardos Inglórios – 2009 – Tarantino

O Fantástico Sr. Raposo – 2009 – Wes Anderson

*em negrito os filmes que eu considero obras-primas.


É impossível não reconhecer a importância que eles tiveram para o cinema em menos de 20 anos de atividade. E é nessa linha de raciocínio com que eu venho abordar resumidamente o cinema mágico, criativo e aconchegante de Wes Anderson.



Fica claro, desde “Pura Adrenalina”, que Wes Anderson respeita e ama o cinema. Acho que talvez essas duas características sejam das mais importantes para alguém realizar filmes. Ao meu ponto de vista, as idéias criativas dele se unem de alguma forma ao cinema clássico. A vontade de contar uma história, e contar ela da melhor forma possível, com todos os detalhes a que temos direito. Este filme que foi escrito juntamente com o amigo Owen Wilson, e interpretado pelo próprio Owen e pelo irmão Luke, talvez seja o mais simples de Anderson, mas já é possível notar claramente a sua característica de contar histórias.




A partir do próximo filme, “Três é Demais” (mais uma vez escrito com Owen Wilson), protagonizado por um Jason Schwartzman então com 18 anos de idade, já fica mais clara a maneira com que Anderson domina as posições de câmera a sua maneira. Técnica que ficará ainda mais marcante nos seus próximos três filmes. Além de ângulos de câmera diferenciados como característica, Anderson já coloca em prática a excelente trilha-sonora que acompanha seus filmes, e o uso de slowmotion em determinadas cenas. Vale lembrar que Anderson tinha apenas 29 anos quando fez este filme.


Em seguida, vêm o que eu chamo de “A Trinca de Ouro” de Wes Anderson: “Os Excêntricos Tenenbaums”,” A Vida Marinha de Steve Zissou”, e “ Viagem a Darjeeling”. Anderson chega ao ápice da criatividade. Vai a um patamar diferenciado, aonde deixa de ser um cineasta em ascensão, para tomar o seu lugar como um dos grandes diretores americanos do começo de século XXI. Com um elenco espetacular, Anderson transborda inspiração e faz uso de todas as suas características pessoais como realizador. Nos roteiros, parcerias com Noah Baumbach (A Lula e a Baleia), Roman Coppola (sim, filho do Coppola Pai), e com Owen Wilson.



No fim de 2009, é lançado o seu filme de animação, “O Fantástico Sr. Raposo”, baseado no livro de Roald Dahl, mesmo autor de “A Fantástica Fábrica de Chocolate”. Talvez o seu projeto mais ambicioso, mas que é uma prova definitiva da qualidade de Anderson. A maioria das técnicas aplicadas em seus outros filmes, estão no Sr. Raposo.



Eu sei que os comentários sobre os filmes são breves, mas quando pensei em escrever este post, pensava exclusivamente sobre a maneira com que Anderson conduz belamente os seus filmes, e não em fazer críticas aos filmes em si. A percepção que eu tenho, é que Anderson faz os seus filmes com o máximo de cuidado possível. Deve ser um crítico de seu próprio trabalho, a ponto de eles chegarem a quase perfeição estética.


E Anderson, continue assim, pois eu fico feliz sempre que separo algumas horas do meu dia para entrar na sua mente excêntrica e me deliciar com o seu trabalho.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Cabelos Negros

Balance seus cabelos pela rua garota. Esse ar tão puro em um dia nublado. E lá vem você com os seus cabelos negros me cumprimentar. Acho que hoje fiquei com a sua alegria cravada em meus braços. Eles não querem fazer outra coisa a não ser te abraçar, e te apertar, e te dizer em sinais que você é maravilhosa. Como pode uma pessoa ser assim? Quer dizer, um humano ser assim?

Mas quanto a isso acho que nós podemos ficar tranquilos, eu e tu sabemos que a tua descendência é indefinida. Só não se sabe se é dos meus sonhos ou de uma parte remota do teu sorriso. Pois é. Eu tenho certeza que o teu sorriso esconde uma porção de pequenos planetas com habitantes tão lunáticos e puros como tu. Viajar é a principal diversão deles, então é por isso que o teu humor varia tanto. Eles não sabem mais por onde desbravar algumas regiões do teu corpo, então às vezes ficam entediados, o que te deixa de mau humor e sem saber o que fazer. Imagino também que todas as vezes que eles resolvem escorregar pelo teu cérebro, tu dá risada. Aquela risada que só tu sabe dar.

Pode-se notar essa tua façanha de outra forma também. É só conversar contigo um pouco pra descobrir que habitam em ti, diversas formas de vida. Coisa que tu passa em uma conversa sem nem ao menos ter vontade. Claro, porque o teu conhecimento todo é involuntário. A culpa é desses seres que habitam o teu corpo!


E lá vem tu balançando os teus cabelos negros outra vez.


Espero que neles não habite nenhum tipo de vida.


Porque, senão, seriam piolhos.


 
Ricardo Lubisco

sábado, 31 de julho de 2010

O Encontro

Passa um homem triste pela rua da alegria. Como de costume, calmamente ele caminha sem olhar para os lados, alheio ao alvoroço dos moradores e frequentadores da rua. Absorto em sua tristeza constante, demora a perceber uma luz invadir sua retina vagarosamente. Um detalhe que nunca havia reparado nesses tantos anos de passagem pela rua.
O sorriso tímido de uma garota despertara a atenção do homem, que, confuso, lhe responde com um sorriso como há muito não esboçava.
E agora, como haveria de proceder esse homem?
E então, tomado pela euforia, vai de encontro àquela estrela de brilho incandescente, que ainda continuava sorrindo, e para a sua frente.
Olha bem fundo em seus olhos contemplando-os.
A moça permanecia estática, e agora o homem também. Num repente, a garota de olhos profundos, e que vestia roupas de certo requinte, irrompe o silêncio dizendo:
- Por favor...
Ela, ainda com o sorriso estampado, entrega-lhe uma faca de ponta tão afiada quanto o seu olhar.
Não restava nenhuma dúvida, era o momento que aquele homem de sorriso quase inexistente e alma congelada tanto esperava.
Ele recebe a faca da mão da garota, e ,sorrindo para ela, cuidadosamente traça um corte profundo em seu próprio pescoço. Em segundos o homem cai de joelhos e tomba ao chão, enquanto aos poucos o brilho da moça vai se apagando até desaparecer por completo e esfarelar-se sobre o homem ali caído.
Na rua, tudo em paz e alegremente normal.


Christian Pizzolatto

sexta-feira, 30 de julho de 2010

DoisOitoOito


O caminho que o rock nacional vem trilhando é um tanto estranho. Justamente porque rock é atitude. Coisa que anda em falta no Brasil. E uma das coisas que diferencia o rock gaúcho, do rock nacional, é a atitude em experimentar coisas novas e criativas.

É seguindo esse raciocínio que eu tenho orgulho em escrever sobre a DoisOitoOito (288). Semana passada fui a um show deles. Eu não sou nenhum perito no que falo, mas o que diferencia a DoisOitoOito das demais bandas da cena, é principalmente a atitude. A banda, em atividade há mais de dez anos, angariou uma porção de amigos por onde passou. Pela qualidade do seu trabalho e pela forma com que os integrantes interagem com o público.

Atitude é um sentimento que sobrevive dentro de nós, pedindo por vezes para ser expulsa por alguns instantes. Ela não hesitou em permanecer no ar, enquanto a DoisOitoOito estava no palco. Percorria as carcaças humanas presentes no Under Feelings (Av. Venâncio Aires, 912), envolvendo não só os ouvidos, mas a mente. Eu poderia definir como rock, atitude e amizade. Mas isso é de cada um.

Quando puder, vá a um show. Tome uns tragos e aproveite. Os caras tão do teu lado!

http://www.myspace.com/doisoitooito

http://www.fotolog.com.br/doisoitooito


Conheça um pouco mais:

Originária de Porto Alegre, a 288 iniciou suas atividades no final de 1999, com a fusão de duas bandas, uma de rap e outra de hardcore. A banda propõe-se a uma mistura de estilos, principalmente hardcore e rap, mas não limitando-se a essa fórmula, possuindo uma gama de influências muito maior. Tendo 5 integrantes com influências completamente diferentes, tentamos ao máximo misturar estilos e criar uma sonoridade e identidade própria, visto que uma grande quantidade de bandas da cena nacional, apenas copia, ou tenta encaixar fórmulas prontas vindas de fora, que não combinam com o nosso idioma. Achamos fundamental cantar em português, pois desta maneira entendemos que a compreensão e identificação com a nossa música é multiplicada. Assim usamos nosso idioma e tentamos criar estruturas musicais diferenciadas, tanto das bandas nacionais quanto das de fora. Usamos a música como meio de expressarmos o que sentimos e pensamos, tentando passar uma mensagem positiva e combativa. Em Março de 2002, lançamos nosso primeiro trabalho, um CD demo contendo quatro músicas diferentes entre si, mas mantendo uma coerência musical, que demonstram a quantidade de influências da banda. Estamos trabalhando para lançar novo cd ainda em 2010.



quarta-feira, 28 de julho de 2010

Filipe

Todo dia ás 6 da tarde Filipe enfia a cabeça na terra. Todos sempre perguntam o porquê, mas ele nunca soube responder. 6 da tarde, tiro e queda, Filipe enfia a cabeça embaixo da terra. Alguns o chamam de menino avestruz, outros preferem não falar nada por medo de retaliações dos parentes desconhecidos de Filipe, certamente, os Senhores Etês. Sua Mãe não briga mais quando o vê voltar pra casa com os olhos quase cobertos de terra, e algumas minhocas saindo de seu nariz.


Todo dia na hora do jantar na casa de Filipe, seus pais discutem. O baixo salário do Pai, o cabelo mal cortado da Mãe, a comida cara do maninho (o cachorro de Filipe), e o preço do aluguel que sobe todo ano. Filipe observa tudo com calma. Tudo que ele não precisa é dar mais um motivo para os pais brigarem.


- 6 da tarde.


Lá vai Filipe em direção ao buraco no jardim de seu quintal. Mergulha a cabeça na terra e grita o mais alto que pode. Pensa em todos os problemas discutidos pelos pais, na comida cara do maninho, na Juliana - sua amiguinha de brincadeiras - e como ele não gostaria de crescer e se tornar um adulto.


Filipe entrou em casa com a cabeça cheia de terra, só que dessa vez, a minhoca saía de sua orelha.




Ricardo Lubisco

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Musicando

Tendo em vista que eu disponho de um espaço na internet para fazer o que eu bem entender, me sinto na obrigação de compartilhar duas genialidades da música com você. E “você” significa quem quer que seja. Qualquer pessoa que veja esta página. Não deixe de ver os vídeos. Se fossem ruins não estariam aqui. :)


É um absurdo o que essas notas de baixo me fazem viajar. Quem me mostrou o Jaco, foi o Christian. O Pizzolatto. Aquele cara que tem um blog chamado Cadela Desalmada. Faz um tempo que eu tô vidrado em som de contrabaixo, e ele falou:

- Tchê, dá uma olhada nisso aqui então:




É insano de bom.



E uma música incrível que eu ando escutando há semanas, é essa aqui! Não preciso fazer comentários. A guitarra esgoelada do Zappa faz isso por mim!